arrancas as folhas
que de mim se veste o homem
cortas os braços que de mim
se aquece o homem
cravas o machado no que de mim
seria o meu vestido
à catanada feres a casca que protege e alberga o meu passado
olha homem
que no meio dos outros estás,
eu choro
cortas-me o cabelo
e choro
lágrimas de seiva
turvam meu horizonte
e leio em tua ira
perságio de morte
homem que ensombras
a vida
terás tu filhos para ver a tua ira?
Inez Andrade Paes
7.2.2007