Numa floresta
onde o sol só entrava nas horas de maior calor, viviam os
Gnomos de gorro encarnado e os de gorro
azul.
Um dia uma
flor vermelha muito bonita nasceu, deixando os Gnomos de gorro
encarnado orgulhosos. Logo determinaram que aquela zona lhes
pertencia, pensamento e determinação que deixou os de
gorro azul
zangadíssimos.
O Gnomo mais
velho de gorro azul, decidiu ir falar com o mais velho de gorro
vermelho. Na sua caminhada curta mas com alguns percalços
por tropeçar na longa barba, lá chegou a arfar e
bateu à porta do grande carvalho que albergava os de gorro
vermelho.
- Toc! Toc!
Toc! Um barulho que parecia oco pela imensidão das salas que
existiam no seu interior fez pensar que todos tinham
saído...devagar a porta se abre e atrás dela um gnomo
mais pequeno pergunta ao mais velho o que
deseja.
- Quero
falar com o gnomo mais velho deste
carvalho.
- Por favor
entre, vou
chamá-lo.
O pequenito
lá vai e volta com um sumo de mirtilho e umas bolachas de
gengibre.
- Sente-se e
prove este sumo e estas bolachas, o meu Tio vem
já.
De repente a
porta abre-se com força e uma valente gargalhada ecoa na
sala.
- Meu amigo
Rubibango como as tuas barbas rubis estão brancas, olha para
as minhas, também estão mais
cinzentas.
- As tuas
Melibango? As tuas estão brancas, não cinzentas. Diz
Rubibango cheio de flechas pequeninas a picar
Melibango.
- Sim, sim,
mas as minhas madeixas de mel ainda se
notam.
- Sim, sim,
pintaste-as com a casca verde de noz...mas ouve, venho falar-te da
flor.
- Qual
flor?
- Aquela
vermelha que nasceu ali no prado. Que beleza
hein?
- Sim, mas
tem dono.
- Como dono,
não vi ninguém
semeá-la?
- Sim, mas
como está perto aqui da nossa
árvore?!?!...
- Então
todas as trufas que nascem perto da nossa árvore
também são
nossas.
- AH
NÃO! Essas são de
todos.
-
Então porquê que a flor não pode ser nossa
também?
Grande
confusão ecoou dentro do grande carvalho,gritos e mais
gritos fizeram acordar o grande mocho, espantaram todas as pequenas
aves pousadas e o casal de esquilos
ruivos.
De repente o
sobrinho de Melibango abana com toda a força que tinha um
enorme sino de cobre.Os dois
calam-se e ficam espantados e vermelhos de tal forma que
pareciam duas flores no
prado.
- Porque
não esperamos que as sementes caiam? Diz Bilibango, afinal
podem nascer mais e podemos dividir por
todos.
- Huumm! De
dentes cerrados e olhos no chão os dois gnomos mais velhos
pensaram.
- Eu aceito.
Diz Rubibango.
- Eu tenho
que pensar. Diz
Melibango.
Enquanto
Melibango pensava, Rubibango devorava as bolachas de gengibre e
limpava a boca dos bocados presos aos dentes com o sumo de
mirtilho.
-
ESTÁ BEM! Diz alto Melibango fazendo o prato das migalhas
cair das mãos de Rubibango. O prato ficou inteiro mas as
migalhas espalharam-se na sala. Logo aparece a correr um esquilo
que com sua cauda as varre para uma folha de
carvalho.
-
Então
concordas.
- SIM, vamos
ver se nascem
mais.
Três
dias passaram até que os ventos chegassem e com eles as
sementes caíssem. Uma semana passou e todos os gnomos por
missão se reuniam à volta do prado a ver se havia
novidade.
- AQUI!
Grita um deles. Era um pequeno pé de flor que surgia. Foi
uma romaria à volta do pequeno pé de flor.
Passaram-se mais seis dias e surgiu um botão no pequeno
pé. Alguns dos gnomos nem para casa íam só
para amanhecer com o Sol e ver o orvalho pingar das ervas verdes do
prado e fazer crescer a
flor.
- ABRIU!
É AZUL! Diz um dos gnomos. Foram logo a correr a chamar os
dois mais velhos. Quando chegaram dizem em
coro
-
AZUL?
Bilibango
ria muito ao ver o espanto dos dois gnomos mais velhos. Tinha sido
uma lição para todos.
Hoje o prado tem muitas flores encarnadas e azuis, que todas as
Primaveras vão surgindo com os primeiros orvalhos da
manhã.
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Data de criação : 07/10/07
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Última atualização : 08/12/01 14:42 / 70 Artigos publicados

Débora Benvenuti
Seg 21 Jul 2008 15:52