DANÇA - Pintura sobre algodão  escrito em sábado 06 outubro 2007 21:10

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JARDIM DOS GNOMOS - Pintura sobre madeira  escrito em sábado 06 outubro 2007 21:22

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  Numa floresta onde o sol só entrava nas horas de maior calor, viviam os Gnomos de gorro encarnado e os de gorro azul.
Um dia uma flor vermelha muito bonita nasceu, deixando os Gnomos de gorro encarnado orgulhosos. Logo determinaram que aquela zona lhes pertencia, pensamento e determinação que deixou os de gorro azul zangadíssimos.
O Gnomo mais velho de gorro azul, decidiu ir falar com o mais velho de gorro vermelho. Na sua caminhada curta mas com alguns percalços por tropeçar na longa barba, lá chegou a arfar e bateu à porta do grande carvalho que albergava os de gorro vermelho.
- Toc! Toc! Toc! Um barulho que parecia oco pela imensidão das salas que existiam no seu interior fez pensar que todos tinham saído...devagar a porta se abre e atrás dela um gnomo mais pequeno pergunta ao mais velho o que deseja.
- Quero falar com o gnomo mais velho deste carvalho.
- Por favor entre, vou chamá-lo.
O pequenito lá vai e volta com um sumo de mirtilho e umas bolachas de gengibre.
- Sente-se e prove este sumo e estas bolachas, o meu Tio vem já.
De repente a porta abre-se com força e uma valente gargalhada ecoa na sala.
- Meu amigo Rubibango como as tuas barbas rubis estão brancas, olha para as minhas, também estão mais cinzentas.
- As tuas Melibango? As tuas estão brancas, não cinzentas. Diz Rubibango cheio de flechas pequeninas a picar Melibango.
- Sim, sim, mas as minhas madeixas de mel ainda se notam.
- Sim, sim, pintaste-as com a casca verde de noz...mas ouve, venho falar-te da flor.
- Qual flor?
- Aquela vermelha que nasceu ali no prado. Que beleza hein?
- Sim, mas tem dono.
- Como dono, não vi ninguém semeá-la?
- Sim, mas como está perto aqui da nossa árvore?!?!...
- Então todas as trufas que nascem perto da nossa árvore também são nossas.
- AH NÃO! Essas são de todos.
- Então porquê que a flor não pode ser nossa também?
Grande confusão ecoou dentro do grande carvalho,gritos e mais gritos fizeram acordar o grande mocho, espantaram todas as pequenas aves pousadas e o casal de esquilos ruivos.
De repente o sobrinho de Melibango abana com toda a força que tinha um enorme sino de cobre.Os dois calam-se e ficam espantados e vermelhos de tal forma que pareciam duas flores no prado.
- Porque não esperamos que as sementes caiam? Diz Bilibango, afinal podem nascer mais e podemos dividir por todos.
- Huumm! De dentes cerrados e olhos no chão os dois gnomos mais velhos pensaram.
- Eu aceito. Diz Rubibango.
- Eu tenho que pensar. Diz Melibango.
Enquanto Melibango pensava, Rubibango devorava as bolachas de gengibre e limpava a boca dos bocados presos aos dentes com o sumo de mirtilho.
- ESTÁ BEM! Diz alto Melibango fazendo o prato das migalhas cair das mãos de Rubibango. O prato ficou inteiro mas as migalhas espalharam-se na sala. Logo aparece a correr um esquilo que com sua cauda as varre para uma folha de carvalho.
- Então concordas.
- SIM, vamos ver se nascem mais.
Três dias passaram até que os ventos chegassem e com eles as sementes caíssem. Uma semana passou e todos os gnomos por missão se reuniam à volta do prado a ver se havia novidade.
- AQUI! Grita um deles. Era um pequeno pé de flor que surgia. Foi uma romaria à volta do pequeno pé de flor. Passaram-se mais seis dias e surgiu um botão no pequeno pé. Alguns dos gnomos nem para casa íam só para amanhecer com o Sol e ver o orvalho pingar das ervas verdes do prado e fazer crescer a flor.
- ABRIU! É AZUL! Diz um dos gnomos. Foram logo a correr a chamar os dois mais velhos. Quando chegaram dizem em coro
- AZUL?
Bilibango ria muito ao ver o espanto dos dois gnomos mais velhos. Tinha sido uma lição para todos.
Hoje o prado tem muitas flores encarnadas e azuis, que todas as Primaveras vão surgindo com os primeiros orvalhos da manhã.
 

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AGUADEIRA - Pintura sobre madeira  escrito em sábado 06 outubro 2007 21:23

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UM AZUL - Pintura sobre algodão  escrito em sábado 06 outubro 2007 21:28

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Celastrina argiolus

 

na natureza  juntamos as nossas almas

libertas

um pó que exalo

 

transparente      dourado

 

onde pousaste

 

em minha mão     me calo

com o poderoso brilho de tua asa

 

Inez Andrade Paes

 

 

 

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UM PÔR DO SOL - Pintura sobre algodão  escrito em sábado 06 outubro 2007 21:29

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sou uma árvore alta

das mais altas que aqui há

tão alta

a tocar as nuvens

 

uma alta e forte árvore

tão verde que mancha o lugar

tão larga que abraça os pássaros

 

uma árvore alta

de casca tão dura

que alberga quem se aventura

 

sou alta e fina

que dança ao vento e à lua

 

quantas folhas largo ao vento

para calçar no Outono cores

que aquecem meus pés

 

sou uma árvore alta

com colares de rubis

deixados por pássaros

em meus braços

de noite ao luar

são olhos a brilhar

candeias para te iluminar

 

 

eu era uma árvore alta

eu era uma árvore tão alta

eu era uma árvore

uma árvore esguia

eu era

 

aquela árvore alta que da janela via

 

 

Inez Andrade Paes

 

 

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